Pouco se aproveita do melhoramento genético das variedades de cana-de-açúcar se não houver manejo adequado no campo. Os pacotes tecnológicos desenvolvidos nos últimos 40 anos resultaram no dobro do número de rebrotas da cana. Entretanto, o manejo inadequado pode jogar por terra essas conquistas. Um exemplo está na colheita mecanizada, que pode diminuir o potencial de rebrotas das soqueiras pelo forte impacto e por aumentar a ocorrência de fungos e doenças. Pesquisa desenvolvida pelo Instituto Agronômico (IAC-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, reduz de 3,4% para 0,2% a quantidade de soqueiras arrancadas que, portanto, não rebrotam mais.
A pesquisa mostra que a mudança do sistema de corte de base da cana, feito com lâminas retangulares e com corte por impacto — utilizado normalmente —, para o sistema desenvolvido pelo IAC, com lâminas serrilhadas e corte por deslizamento, reduz também o ataque de fungos e doenças às soqueiras e diminui a deterioração da cana que chega para as usinas. Esse tipo de lâmina, aliado com o corte, é um estudo inédito no País.
Há dez anos, o IAC trabalha nessas pesquisas de corte de cana com lâmina serrilhada. Teve como parceiros na pesquisa as usinas São Martinho, da cidade de Pradópolis, e Equipav, do Oeste Paulista, e foi financiado pela agência de fomento australiana Sugar Research and Development Corporation. O estudo teve também o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Os testes foram realizados em campo nas safras de 2006, 2007 e 2008.
No estudo do IAC, depois de colher toda a cana, as soqueiras foram classificadas entre intactas, semi-abaladas, abaladas e arrancadas. No modo convencional, apenas 54,3% das soqueiras se mantinham intactas, enquanto que pelo sistema IAC o índice chega a 71,5%, um ganho de 31,7%. Segundo o pesquisador Roberto da Cunha Mello, os cortadores de base que vêm sendo utilizados, além de causar alto volume de perdas de cana, provocam redução na produtividade potencial devido aos danos causados na soqueira.
Atualmente, a cana-de-açúcar consegue ter entre cinco e seis rebrotas, graças às pesquisas com melhoramento genético. “Não adianta desenvolver uma variedade de cana perfeita se não gerarmos um ambiente externo adequado. O manejo equivocado reduz a expressão das características genéticas. A quantidade de rebrota da cana dobrou nos últimos 40 anos por conta do uso de pacotes tecnológicos e a colheita é uma das características que influenciam no bom resultado de uma variedade”, explica o pesquisador Marcos Guimarães de Andrade Landell, responsável pelo Programa Cana IAC.
A colheita mecanizada da cana-de-açúcar possui a vantagem de ser mais rápida e ter melhores condições de trabalho que a colheita manual. Porém, as perdas causadas pela mecanização chegam a 15%, enquanto esse percentual é de apenas 5% no processo manual. “Com o sistema de corte de base feito com lâminas serrilhadas e por deslizamento desenvolvido pelo IAC, há uma sensível redução nas perdas totais”, diz Mello. Segundo Landell, 70% dos canaviais paulistas são colhidos por máquinas e a tendência é que nos próximos anos o índice atinja 100%.
A íntegra da reportagem está disponível no site www.iac.sp.gov.br.
Fonte: Assessoria de Imprensa do IAC